O erro conceitual do diagnóstico exclusivamente oclusal no bruxismo
3/5/20261 min read
Durante décadas, o bruxismo foi interpretado como consequência de interferências oclusais.
Ajustes seletivos e correções mecânicas eram propostos como solução causal. A ciência atual não sustenta essa interpretação.
O bruxismo — especialmente o do sono — é um comportamento motor relacionado à ativação do sistema nervoso central, frequentemente associado a microdespertares e à modulação autonômica.
Não há correlação consistente entre contatos prematuros e a ocorrência dos episódios bruxistas. Isso não significa que a oclusão seja irrelevante. Significa que ela não é a causa primária.
Confundir fator periférico com fator etiológico leva a dois problemas clínicos importantes:
– intervenções irreversíveis baseadas em premissas frágeis
– frustração terapêutica quando o comportamento persiste
O bruxismo não nasce no dente. Nasce na regulação neurofisiológica. A placa miorrelaxante protege estruturas e redistribui carga. Mas não altera os mecanismos centrais que desencadeiam o comportamento.
Quando o diagnóstico se limita à análise oclusal, ignora-se:
– arquitetura do sono
– microdespertares
– hiperatividade simpática
– fatores emocionais e comportamentais
– possíveis distúrbios respiratórios do sono
O resultado é uma abordagem incompleta. O papel do cirurgião-dentista moderno não é apenas identificar contatos dentários. É compreender o paciente como sistema integrado.
Oclusão importa. Mas fisiologia importa mais.
Conteúdo fundamentado na abordagem descrita no livro Bruxismo – Abordagem Terapêutica Integrativa, publicado pela Amazon.
Experiência
Ortodontista com 33 anos de especialização.
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