Bruxismo é um comportamento neurofisiológico.
Alael Barreiro Fernandes de Paiva Lino
2/5/20261 min read
O bruxismo não deve ser compreendido como uma doença dentária isolada, nem como um problema exclusivamente mecânico. As evidências científicas atuais apontam o bruxismo como um comportamento neurofisiológico, mediado pelo sistema nervoso central e fortemente relacionado aos mecanismos de regulação do sono e da vigília.
Durante o sono, o bruxismo está associado a microdespertares, momentos breves de ativação cerebral nos quais ocorre aumento da atividade autonômica, da frequência cardíaca e do tônus muscular. Nessas transições entre estágios do sono, a musculatura mastigatória pode ser recrutada como parte de uma resposta fisiológica central, e não como consequência de contatos dentários.
Essa compreensão desloca o foco do tratamento. O ranger ou apertar dos dentes deixa de ser visto como o problema em si e passa a ser entendido como uma manifestação de um sistema em desequilíbrio, frequentemente relacionado à fragmentação do sono, à hiperatividade simpática e a fatores emocionais e comportamentais.
Por esse motivo, intervenções exclusivamente mecânicas, como ajustes oclusais ou o uso isolado de placas, têm alcance limitado. Elas são importantes para proteger as estruturas dentárias, mas não atuam sobre os mecanismos centrais que modulam o comportamento bruxista.
O manejo adequado do bruxismo exige uma abordagem mais ampla, que inclua:
compreensão da fisiologia do sono,
avaliação da regulação autonômica,
educação do paciente sobre o comportamento,
acompanhamento clínico longitudinal.
Tratar o bruxismo como comportamento neurofisiológico não significa ignorar a Odontologia, mas reposicioná-la dentro de um modelo de cuidado mais coerente com a ciência atual. O objetivo deixa de ser “eliminar o bruxismo” e passa a ser manejar o comportamento, reduzir danos e promover equilíbrio funcional.
Essa visão está descrita de forma estruturada no livro Bruxismo – Abordagem Terapêutica Integrativa, publicado pela Amazon, no qual ciência e experiência clínica são integradas para orientar uma prática ética e realista.
Experiência
Ortodontista com 33 anos de especialização.
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